DADA A LARGADA - Ciclistas fazem o último treino antes de embarcar para a Argentina para a disputa da primeira competição no exterior depois da conquista da credencial
Depois de passar por momentos difíceis com a divulgação de casos de doping, além de dificuldades financeiras para organizar competições e manter instalações esportivas, o ciclismo nacional tem um motivo para comemorar. A equipe Scott/Marcondes César, de São José dos Campos, conseguiu ser escolhida pela União Ciclística Internacional (UCI) para integrar a seleta categoria Profissional Continental. Com isso, o Brasil, pela primeira vez na história, tem um grupo apto a receber convites para eventos de elite como a Volta da França, o Giro da Itália e a Volta da Espanha.
O técnico e diretor do time do Vale do Paraíba, José Carlos Monteiro, o Carlinhos, conta que o reconhecimento foi resultado de três anos de trabalho e R$ 40 mil de investimento para fornecer todas as informações exigidas pela UCI para conceder o credenciamento. "Nossa intenção era conseguir o status Profissional Continental no ano passado, mas ficou difícil por causa da crise econômica que abateu o mundo no final de 2008", comenta. "Muitos patrocinadores preferiram adotar conduta mais cautelosa em 2009 e, por isso, tivemos, de adiar o cronograma", acrescenta. "Mesmo assim, fizemos muitos sacrifícios para que o projeto continuasse."
Carlinhos explica que a UCI é bastante exigente na hora de liberar o "passaporte". "Tivemos de mandar muitos documentos com nossos resultados em provas internacionais, informações sobre nossos atletas, além de garantias financeiras." O esforço, no entanto, deu resultado, e a entidade máxima do ciclismo internacional deu um voto de confiança à equipe. Nas Américas, além dos representantes de São José, apenas a BMC Racing, dos Estados Unidos, e a Androni Giocattoli, da Venezuela, estão credenciadas como equipes Pro Continental.
Mas o que significa ter tal credenciamento? Os times de elite, que abrigam os melhores atletas do mundo, fazem parte da categoria Pro Tour - estão automaticamente habilitados a participar das principais provas do calendário internacional, como a Volta da França, o Giro da Itália e a Volta da Espanha. Porém, pelo regulamento, a UCI exige que os organizadores de cada um desses eventos convidem quatro equipes com rótulo Profissional Continental. É uma forma que a entidade encontrou para incentivar o progresso de outros times.
REALIDADE
A classificação Profissional Continental serviu como motivação para todos da equipe de São José dos Campos, porém Carlinhos sabe que esse é apenas o primeiro de muitos passos a serem dados por seu grupo. Hoje, o nível do esporte no Brasil é muito inferior ao das principais potências (Espanha, Itália e França), de forma que antes de pensar em disputar posições contra os principais atletas do mundo é preciso atingir um nível de competitividade que o País ainda não tem. "Por isso, nosso principal objetivo para a temporada é terminar o ano como líderes do ranking das Américas. Um passo de cada vez", explica. A partir de segunda-feira, o grupo disputa a Volta de San Luis, na Argentina, que vale p